Foi este o titulo da nossa proposta.
No presente ano a Câmara Municipal de Portimão (CMP) colocou €1.000.000 à mercê das ideias dos munícipes daquela cidade, sob a forma de um Orçamento Participativo (OP). Como parte interessada, a Juventude Popular (JP) de Portimão propôs-se imediatamente a adaptar o, já desenvolvido na cidade de Lisboa, projecto Re-Food.
Esta ideia define-se sucintamente como a luta contra o desperdício alimentar aliada à ajuda sem fins lucrativos àqueles que mais necessitam. A JP Portimão entregou atempadamente a sua proposta e rapidamente a viu negada pelos serviços camarários. O projecto Re-Food ia, alegadamente, contra as regras do OP e entrava misteriosamente em conflito com o, não menos importante, trabalho do Banco Alimentar Contra a Fome.
Perante estes estranhos desenvolvimentos a JP Portimão apresentou-se na Câmara Municipal a fim de se inteirar mais pormenorizadamente das condições da negação do seu Orçamento, que convém referir, viu o seu título habilidosamente alterado de “Vamos acabar com o desperdício alimentar” para “Banco Alimentar” pelos perdulários avaliadores. A JP Portimão depara-se então com o que parece ter sido uma enorme falta de brio no tratamento da proposta Re-Food. A equipa responsável por avaliar a validade dos projectos demonstrou um total desconhecimento sobre o que exactamente se encontrava escrito no Orçamento enviado pela JP Portimão.
Alegou-se que o projecto interferia na recolha de comida descrita no contrato entre a CMP e o Banco Alimentar Contra a Fome. Ao contrário do Banco Alimentar, o Re-Food foca-se apenas na reciclagem diária de refeições e alimentos sobrantes em restaurantes, refeitórios, hotéis, etc. A JP Portimão conseguiu posteriormente elucidar a CMP sobre as diferenças entre as duas iniciativas e viu a sua proposta seguir para votação municipal. De realçar ainda que, dos € 200.000 (montante máximo por orçamento) disponíveis este projecto consumirá apenas €2.000 - 1% do total! Desta forma, acreditamos que a nossa proposta apresenta um rácio utilidade/custo elevadíssimo. Posto isto, quantos orçamentos podem ter sido lidos na diagonal e mal interpretados? Ou, para os mais cépticos, terá a proposta sido rejeitada preliminarmente e de forma tão pouco fundamentada por ser da JP? Ficam as nossas dúvidas.
Fazemos votos para que as restantes etapas do processo decorram dentro dos meandros da normalidade e que os princípios democráticos que tornam esta iniciativa tão valiosa jamais sejam (re)violados. Desejamos ainda, um renovado rigor e uma mente mais aberta no que se quer existente, Orçamento Participativo 2013.