"Conseguirei adaptar-me facilmente ao ensino superior?
Esta é uma questão que certamente
ecoa na cabeça de muitos de vós e também já fez eco na minha, quando
frequentava o 12º ano de Ciências e Tecnologias na vossa escola. Actualmente
sou estudante de Engenharia Informática e de Computadores no Instituto Superior
Técnico, em Lisboa e considero-me plenamente adaptado a esta realidade.
Engane-se quem veio ler este artigo
em busca de uma receita infalível, pois não tenho quaisquer conhecimentos da
existência de alguma. No entanto, existe uma decisão que é aconselhável que
tomem agora: a escolha do vosso curso.
Trata-se de uma decisão com elevado
grau de responsabilidade e que não deve ser tomada de ânimo leve. Esta escolha,
se feita com ponderação, facilitar-vos-á bastante a adaptação ao ensino
superior.
O meu conselho é que escolham um curso que vos
desperte interesse e que realmente “gostem”. Algo
que mexa convosco e vos faça querer mais!
Pode parecer um conselho óbvio e
superficial, mas a minha experiência como aluno universitário mostrou-me que é
de elevada importância. Existirão momentos em que tropeçarão nas dificuldades
dos conteúdos leccionados em determinadas “cadeiras” e acharão que não são capazes, e existirão
outros momentos em que terão saudades da vossa família. Nesses momentos terá de
sobressair a vossa força de vontade e o gosto pelo que estão a estudar. Será
isso que vos vai levar para a frente e a probabilidade de terem sucesso sobe
exponencialmente se isso acontecer.
A quem pense seguir a minha área de
estudos ou outra Engenharia, vindo do curso de Ciências e Tecnologias,
aconselho a trazerem consigo bons conhecimentos a nível de Matemática e Física,
pois estas são as componentes gerais de qualquer Engenharia. Acrescento ainda
como essencial uma grande capacidade de raciocínio.
Para quem estiver interessado em
entrar especificamente para o meu curso, é aconselhável que tenham um contacto
prévio com programação a fim de estarem mais familiarizados com aquilo que será
80% do vosso trabalho durante o curso – programar.
Pedro Marreiros
Juventude Popular de Portimão"
"Será que aquilo que
marras hoje te servirá de alguma coisa amanhã?
Durante os próximos meses a
Juventude Popular de Portimão irá marcar presença neste Jornal. Gostaria desde
já de agradecer à AE-ESPAA pela oportunidade de pudermos difundir a nossa opinião
convosco. Em cada mês um membro da JP irá partilhar a sua experiência
académica nas áreas de Economia, Farmácia, Medicina, Engenharia, Antropologia
ao mesmo tempo que a relaciona com um tema do vosso interesse.
Neste primeiro artigo, gostaria de dar-vos
a minha opinião sobre a minha experiência desde que deixei o Liceu. Frequentei
o curso de Ciências Socioeconómicas e entrei numa das melhores
universidades de economia de Potugal - Nova School of Business and
Economics. A grande questão que me coloco hoje é se a formação e os
conteúdos que me foram instruídos foram úteis/contribuíram para o meu
desempenho académico? Simplificando, de 0 a 10, a resposta é um 5! De tudo o
que aprendi apenas retirei utilidade estrita das disciplinas de Matemática
e de Inglês.
As noções mais básicas de
Microeconomia e Macroeconomia ou Cálculo Financeiro deviam fazer parte dos
conteúdos leccionados (tenho sérias dúvidas até se estes últimos não deviam ser
leccionados a todos os Portugueses). Bem sei que, o processo de especialização
de cada um só deve começar ao nível universitário, no entanto não consigo
compreender que o exame relevante para entrar, na maioria dos cursos de
Economia, seja SÓ o de Matemática. A ilação que retiro deste facto é que todos
os conteúdos que são leccionados nas disciplinas de Economia (A e C) são tidos
como inúteis para as Universidades.
Assim sendo, o melhor conselho que
posso deixar a todos os alunos que querem tirar um curso em Economia ou Gestão
é que desenvolvam ao máximo as vossas competências de raciocínio e linguísticas. Evidentemente, não
aconselho a descorarem todos os outros conteúdos porque são igualmente
importantes para a vossa formação cultural.
José Cravo
JP-Portimão"
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